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O Globo - RJ 29/07/2010 - 07:20 |
Gabeira acusa Cabral de 'maquiar' HGV
Governador diz que denúncia partiu de servidores insatisfeitos com mudanças e que oponente não tem propostas
Henrique Gomes Batista, Fábio Brisolla e Cássio Bruno
Em novo embate sobre a saúde pública, o candidato do PV ao governo, Fernando Gabeira, acusou ontem o governador e candidato à reeleição, Sérgio Cabral (PMDB), de mandar “maquiar” o Hospital Estadual Getulio Vargas (HGV), na Penha, antes de sua visita à unidade.
Além da limpeza reforçada, pacientes que estariam em corredores teriam sido levados a uma enfermaria reaberta na véspera, após dois anos fechada. Já Cabral criticou os servidores e atacou o oponente, dizendo que o verde não apresentou propostas para o setor.
— Temos a denúncia de que o hospital que vimos não é o hospital que sempre está para a população.
Muita coisa foi melhorada às pressas. Constatamos que faltam neurocirurgiões. Há um paciente que espera cirurgia há seis meses. Vi uma enfermaria sem vidros nas janelas, fechadas com lençóis — disse Gabeira.
Segundo funcionários, ao ficar pública, terça-feira à noite, a visita de Gabeira, a direção convocou servidores para trabalhar de madrugada. Eles criticaram a existência de cinco regimes de contratação. Em nota, a Secretaria de Saúde disse que a limpeza é cotidiana, mas admitiu que faltam neurocirurgiões e que trabalha para resolver a questão.
Gabeira disse que grande parte dos problemas pode ser resolvida com melhor gestão e combate à corrupção, citando a compra de remédios sem licitação.
No ano passado, o governo do Rio gastou R$ 81,1 milhões na aquisição de medicamentos e material médico-hospitalar, conforme informou o Ministério Público, que investiga o caso.
Gabeira também falou das falhas constatadas no atendimento das UPAs, noticiadas pelo Globo na segunda-feira: — As UPAs foram criadas como uma aparente solução para aliviar os hospitais, mas já dão sinais de esgotamento. Em muitos locais, essas unidades não atendem com a presteza e a eficácia apresentadas nas propagandas do governo.
Cabral atacou o adversário e criticou servidores sobre a suposta maquiagem no HGV: — O funcionário que não está satisfeito aproveitou o candidato de oposição, que, aliás, não apresentou nada (propostas) até hoje, a não ser tentar buscar erros na nossa administração. — (A denúncia) foi uma resistência às nossas exigências. Hoje, temos o ponto biométrico (controle de ponto). Temos uma série de políticas de recursos humanos e causa um certo mal-estar.
Ele reconheceu os problemas na rede, mas disse que a saúde “melhorou muito” desde que assumiu o governo, em 2007. Uma das propostas de Cabral, caso seja reeleito, é ampliar o sistema de gestão compartilhada entre as redes estadual e privada.
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