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29/07/2010 - 05:44

Entrevista - Carlos Marx (secretário de Meio Ambiente em Osasco)
Como o senhor analisa a candidatura da Marina Silva à presidência pelo PV

Aline Lamas

Há dois anos, o secretário de Meio Ambiente Carlos Marx implantou o projeto de Biodiesel no município de Osasco. Desde então, a prefeitura recolhe óleo de cozinha usado em mais de 700 pontos de coleta. Em entrevista ao Diário da Região, o secretário ressalta os principais aspectos do projeto que já recolheu oitenta mil litros de resíduo de óleo. Militante do Partido Verde e presidente do diretório municipal do partido, ele também fala da candidatura de Marina Silva à presidência e revela suas expectativas com relação às eleições deste ano.

Como o senhor analisa a candidatura da Marina Silva à presidência pelo PV?

A vinda da senadora Marina Silva para o PV representa um momento importante na história do partido. O PV já está com 23 anos. Já tivemos oportunidade de lançar duas candidaturas à presidência da República nos anos 80 e 90.

Em 2009, tivemos a vinda da Marina Silva que é uma referência mundial entre os militantes e defensores da questão ambiental. É uma mulher com uma história fantástica e uma fé na Amazônia. Foi vereadora, deputada estadual, senadora, por duas vezes, e ministra de Meio Ambiente. Ela divergiu da política ambiental do governo Lula e decidiu aceitar o convite do PV para disputar as eleições. A vinda da senadora criou uma empolgação muito grande no partido. Milhares de novos brasileiros se filiaram ao PV em todo o Brasil. Hoje, temos candidatos majoritários de várias cidades do Brasil, que vieram com a entrada da Marina. Sua candidatura está crescendo muito e acreditamos que ela poderá ir para o segundo turno.

O PV também lançou candidato próprio para o governo do Estado de São Paulo. A candidatura da Marina Silva pode influenciar também nessa campanha?

Lançamos a candidatura do ambientalista e ex-deputado federal Fábio Feldman, que coordenou o capítulo do meio ambiente na constituinte. Ele foi secretário de Estado de Meio Ambiente e é nosso candidato ao governo. E vamos lançar o empresário o Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, para o Senado Federal. Há uma lista completa de candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa. Em 2006, o PV elegeu, em São Paulo, cinco deputados federais e oito estaduais. Foi a quarta maior bancada na Assembléia Legislativa. Ficamos atrás somente do PT, PSDB e DEM. Com a participação da senadora Marina Silva no processo, nós vamos duplicar nossa bancada de federais e vamos eleger pelo menos doze estaduais. No Brasil, há uma grande expectativa que a candidatura da Marina puxe muitos parlamentares verdes para as assembleias e Congresso Nacional. Quem são os candidatos do PV na região?

Nós temos quatro candidatos a federal e seis a estadual na região. Em Osasco, temos dois candidatos: a Patrícia Matos a federal e o Altair Gouveia a estadual. Ela é uma militante do instituto MADA, uma ONG de defesa dos animais, enquanto ele é líder comunitário no Rochdale. Também temos candidatos em Barueri, Carapicuíba, Jandira, Itapevi, Cajamar, Tabuão da Serra e Embu.

O senhor vai fazer palanque para a Marina Silva na região? Nem o PV, nem a Marina Silva estão preocupados com palanque. Hoje, os comícios estão muito restritos. Faremos campanha como sempre fizemos. Há mais de vinte anos, o PV tem candidato a presidente e governador. Na região de Osasco, nas últimas eleições, o PV atingiu 7% dos votos. Nossa meta era conseguir no mínimo 5% para que o partido conseguisse a permanência de seu registro, por conta da famosa cláusula de barreira. Desta vez, nós vamos conseguir um percentual maior em função da vinda da senadora Marina Silva, que é um nome de grande expressão.

Mudando de assunto, vamos falar sobre os trabalhos da secretaria de Meio Ambiente. Como começou o projeto Biodiesel no município?

Nós lançamos o projeto Biodiesel em março de 2008, durante a semana da água. Ele tem dois aspectos principais. O primeiro é a despoluição dos cursos de água. Muitas donas de casa e comerciantes jogam os resíduos de óleo de cozinha no esgoto. Esse óleo polui a rede coletora de esgoto, cai nos córregos da cidade e chega ao rio Tietê. Segundo a Sabesp, um litro de óleo polui 20 mil litros de água e provoca impermeabilização do solo nas margens dos córregos, prejudicando a absorção das águas. Esse óleo ainda contamina as nascentes e mananciais. Por outro lado, estamos coletando esses resíduos em Osasco. Já estamos próximos de 80 mil litros de óleo, em dois anos.

Qual o destino, dado pela prefeitura, ao óleo de cozinha coletado? Esses resíduos são encaminhados para uma cooperativa, chamada Remodela, que o utiliza para fabricar biodiesel, combustível que é utilizado para a geração de energia, embora ele tenha qualidade para tornar-se combustível veicular.

No que o biodiesel difere dos combustíveis fósseis? Quais os benefícios ao meio ambiente?

O biodiesel reduz em mais de 50% a emissão de CO2, o gás poluidor que provoca o efeito estufa. O principal vilão da mudança climática é o CO2 e outros gases emitidos pela queima de combustíveis fósseis, tais como o diesel, que tem origem no petróleo. É a contribuição da nossa cidade no combate ao efeito estufa e na recuperação dos rios. Temos que despoluir os rios e retirar o óleo já é uma grande contribuição. Paralelamente, o prefeito Emidio está batalhando para que a Sabesp cumpra com o compromisso que assumiu perante a nossa cidade e retire o esgoto das ruas e dos rios.

Quantos litros de óleo a prefeitura coleta por mês?

Chegamos a coletar 4.500 litros de óleo por mês. Mas queremos avançar, através da conscientização, porque ainda tem muita gente jogando esse resíduo no esgoto. Vamos chegar em todas as casas. Temos também muitas empresas que estão transferindo esse óleo, como restaurantes, pastelarias, padarias, empresas que tem refeitórios. Chegamos a uma segunda fase do projeto. No primeiro ano, pedimos a doação do óleo. Agora, estamos comprando o óleo. Só que nossa moeda de compra não é dinheiro. Para cada dez litros de óleo que recebemos, damos um litro de óleo de soja novo ou dez litros de água sanitária. Quando retiramos o galão de cinqüenta litros de óleo de condomínios residenciais, damos material de limpeza em troca. Hoje, além do ganho ambiental, o projeto já está proporcionando um ganho material.

Quantos são os pontos de coleta?

Estamos com 700 pontos de coleta. Um quarto são escolas e um quarto são estabelecimentos comerciais. Temos ainda condomínios residenciais, igrejas e entidades comunitárias. Qual o próximo passo do projeto Biodiesel?

Agora, nosso objetivo é que outras cidades participem conosco de um projeto regional de biodiesel. Se chegarmos a uma coleta mensal de 50 mil litros, podemos instalar uma usina regional para produzir biocombustível na nossa região. Essa quantidade viabiliza a construção de uma usina que possa produzir de 50 a 100 mil litros de combustível por mês que serão repassados às próprias prefeituras. Nosso projeto serve como referência no estado e no Brasil.Em São Paulo, só duas prefeituras coletam óleo: Indaiatuba e Osasco.

  
 
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