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Correio Braziliense - DF Correio Braziliense - DF
29/07/2010 - 07:44

Ensaios para o primeiro round
Serra, Dilma e Marina já intercalam rotina de campanha com tempo para estudar, ao lado da equipe de marketing, perguntas, respostas e grandes temas nacionais

Da Redação

A uma semana do primeiro debate da campanha à Presidência da República, José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) diminuem o ritmo da agenda nos próximos dias para afiarem as armas para o embate. Os três principais concorrentes ao Planalto já iniciaram a preparação mais árdua, que inclui sessões com assessores — responsáveis por produzir conteúdos sobre possíveis perguntas e respostas em eixos temáticos. O treinamento pode exigir também preparo psicológico, para evitar os tropeços característicos do nervosismo, como lapsos de memória e modulações excessivas de voz. Dos três, pelo menos a petista passará por essa etapa, já que é neófita em debates.

Nas últimas semanas, Serra, Dilma e Marina têm reservado espaços consideráveis da agenda para se debruçarem sobre os principais temas em voga no país. O principal motivo do esforço concentrado é conseguir munição suficiente para a esgrima verbal. Questões ligadas à saúde, à segurança e à economia, entre outras, têm sido repassadas à exaustão pelos três. A petista recebe relatórios diários da equipe comandada pela ex-assessora especial da Presidência Clara Ant. Manteve também encontros com diversos ministros. José Gomes Temporão (Saúde), Fernando Haddad (Educação), Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) e Luiz Paulo Barreto (Justiça) sentaram-se à mesa com Dilma para repassarem números de suas respectivas áreas.

Além da equipe técnica, Dilma conta com forte treinamento psicológico, sob comando da jornalista Olga Curado e do publicitário João Santana. Segundo membros da campanha, a tarefa mais urgente dos dois nesse processo tem sido tentar reduzir o excesso de ênfase nas respostas da candidata. O principal trunfo dos petistas, contudo, reside exatamente na incógnita sobre o desempenho dela em debates. Como nunca participou de nenhuma rodada direta de perguntas e respostas, os adversários ainda tateiam para tentar prever os passos de Dilma no encontro da próxima quinta-feira.

Para a campanha tucana, o primeiro debate(1) é a oportunidade para tentar desconstruir o discurso da petista. Por isso, Serra pretende lançar mão de associações de Dilma com regimes autoritários, especialmente os que são pródigos em desrespeito aos direitos humanos. “O Serra vai mostrar que ele é o candidato da legalidade, que não vai dar dinheiro a movimentos ilegais como o MST ou fechar os olhos para violações dos direitos humanos, como em Cuba e no Irã”, aponta um dos coordenadores da campanha, o deputado federal Jutahy Júnior (PSDB-BA).

Arrogância

A equipe que prepara Serra tem como principal nome o marqueteiro Luiz González, além de um corpo de técnicos. Calejado, o candidato reservou dois dias antes do encontro para estudar como será a participação. Para marqueteiros de campanha, o principal obstáculo dos “treinadores” do tucano é diminuir o ar de arrogância ou o excesso de ironia em algumas intervenções.

O cenário perfeito para o comando da campanha verde teria componentes já traçados: enquanto Serra e Dilma se digladiam, Marina se destacaria apresentando propostas reais para a educação e a sustentabilidade. A senadora acriana tem se dedicado a estudar ao menos duas horas diárias para o encontro. Como pretende dar ênfase à educação, escalou a socióloga Neca Setúbal para montar um arcabouço sobre o tema. “Para Marina, não é embate, é debate e ela é absolutamente safa. Os outros estão se preparando porque estão indo para o embate, que só ocorrerá entre eles”, planeja o colaborador da campanha verde Alfredo Sirkis.

1 - Pulsação em tempo real

Enquanto os três candidatos debatem para todo o país, os marqueteiros terão trabalho redobrado: medir a temperatura das perguntas e das respostas de Dilma, Serra e Marina junto ao eleitorado. Nos bastidores, Paulo de Tarso (PV), Luiz González (PSDB) e João Santana (PT) devem adotar os conhecidos testes de audiência. Nesse método, grupos de eleitores selecionados pelas campanhas julgarão as intervenções com respostas como “bom”, “ruim”, “concordo” e “discordo”. Além de mudarem o curso das falas dos três, essas respostas também subsidiarão debates futuros.

"O Serra vai mostrar que ele é o candidato da legalidade, que não vai dar dinheiro a movimentos ilegais como o MST"

Jutahy Júnior (PSDB-BA), um dos coordenadores da campanha tucana.

Bastidores

O treinamento para debates costuma ser dividido em duas partes: estudo de conteúdo e preparo psicológico. Na primeira, há coleta de farto material para subsidiar perguntas, respostas e tréplicas, além dos textos de abertura e de encerramento dos candidatos.

A equipe responsável pelo conteúdo elabora perguntas para cada adversário de acordo com eixos temáticos, como saúde e segurança. Ainda ajuda o candidato a prever possíveis respostas e a elaborar réplicas. A intenção é que ele pense a resposta antes de a pergunta terminar de ser feita pelo outro candidato. Pensar depois significaria silêncio de alguns segundos — o que, na televisão, pode ser fatal.

O preparo psicológico faz uso de ferramentas da neurolinguística, de técnicas de relaxamento e até de predicados de artes marciais. O intuito é inocular no candidato um antídoto contra lapsos de memória e dificuldades de expressão que costumam surgir com o nervosismo de um debate em rede nacional.

O treinamento inclui pelo menos três simulações. A primeira é a mais pesada. Costuma ser feita com, pelo menos, sete dias de antecedência. O político é bombardeado com perguntas desagradáveis e as chamadas “pegadinhas”, para testar as possíveis respostas e a reação ao estresse. A segunda sessão serve para consolidar as respostas; a última, feita dois dias antes do embate, tem como intuito modular a postura, alertar o candidato sobre a possível estratégia do oponente e deixá-lo confiante para o debate.

  
 
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