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23/11/2009 - 08:00

PV usará internet para alavancar Marina
Esta semana, a exemplo do que fez Obama nos EUA, partido começará a colher doações de campanha pela rede

Renata Camargo

Geraldo Magela/Ag. Senado
Comando do PV pretende intensificar campanha de Marina ao Planalto na internet
O PV se prepara para lançar nesta semana uma ferramenta cibernética que pretende dar um boom na campanha da senadora Marina Silva à Presidência da República. O partido deve colocar no ar no sábado dia 28 um canal de doações de campanha pela internet, no qual os eleitores poderão contribuir financeiramente com a campanha da ex-ministra do Meio Ambiente (Nota do PV: o sistema de arrecadação online não é voltado para campanha eleitoral. Ele é exclusivamente voltado para o projeto de discussão programática do Partido.). Essa foi a principal ferramenta usada pelo presidente Barak Obama na eleição nos Estados Unidos. Pela internet, Obama recolheu nada menos que cerca de US$ 500 milhões, sendo que a média de cada doação individual não passou de US$ 100.

Será a primeira vez que uma campanha para presidente no Brasil utilizará tal artifício. Antes do texto da reforma eleitoral ser aprovado no Congresso em setembro deste ano, o uso dessa ferramenta não era permitido. Agora, com a estratégia, o PV pretende tirar do patamar ‘plebiscitário’ – como adversários e membros do próprio partido têm rotulado – a pré-campanha de Marina Silva à sucessão de Lula.

Além da doação de campanha via internet, o PV trabalha para incrementar outras ciber ferramentas e estratégias usadas pelo partido na campanha eleitoral do deputado Fernando Gabeira (RJ) à prefeitura do Rio de Janeiro em 2008. Gabeira – derrotado com 49,17% dos votos contra 50,83% do atual prefeito Eduardo Paes (PMDB) –, conseguiu virar as eleições, ainda no primeiro turno, por causa da massificação da campanha pela internet.

Gabeira ocupou várias redes de relacionamento como orkut, twitter, facebook e myspace, além da página oficial da campanha e blog. “Vamos trabalhar para potencializar as ferramentas que o PV já tem. Temos blogs, orkut, twitter e, inclusive, uma rede social só nossa, como se fosse um orkut do PV. Neles, os filiados podem publicar notícias e a gente vai articulando a campanha”, explica o secretário de comunicação do PV, Fabiano Carnevale.

O PV irá se comunicar com os eleitores também via torpedo SMS nos celulares. Segundo Carnevale, esse canal de comunicação servirá para mobilizar eleitores na busca por novas articulações. A executiva do partido pretende lançado no próximo ano.

“A Marina vai para determinado lugar, você avisa para as pessoas e diz ‘a Marina vai estar aí 4h da tarde e tal’. Esse sistema de SMS já está quase pronto. O cara se cadastra e recebe mensagem. É uma campanha mais barata e mais limpa. A internet quebra o que tem hoje no sistema eleitoral”, conta.

Outra ferramenta, testada em parte na campanha de Gabeira, será a utilização do Google Maps – um mapa detalhado por imagens de satélites, onde é possível localizar ruas, casas, quarteirões. O PV trabalha para usar esse sistema em que o internauta poderá, por exemplo, apontar no mapa locais de problemas na cidade ou localizar vizinhos simpatizantes do candidato.

Essa estratégia foi utilizada na campanha de Gabeira para mostrar onde estavam localizadas milícias e pontos de tráfico e mapear locais onde havia eleitores. O sistema é semelhante ao utilizado na campanha de Barack Obama, nas eleições para presidente dos Estados Unidos, e foi um dos mais acessados na campanha do PV no Rio.

A massificação do uso de ferramentas de internet na campanha da senadora Marina Silva será, segundo o presidente do PV, José Luiz Penna, uma estratégia para compensar o tempo de TV. O PV, por ser uma legenda pequena, terá pouco tempo para apresentar sua candidata no horário eleitoral gratuito.

Mesmo firmando alianças com outros partidos menores, o tempo de TV de Marina não deve alcançar nem a metade do tempo que terá a pré-candidata do governo, ministra Dilma Rousseff. O PT, que já anunciou coligação com o PMDB, terá cerca de seis minutos por dia na TV e no rádio. Em alianças com partidos menores, como PP, PTB, PR, PDT e PSB, esse tempo pode ultrapassar os dez minutos.

Entrevista José Luiz Penna: Marina é herdeira da história de Lula

O presidente nacional do PV, José Luiz Penna, é um entusiasta da campanha da senadora Marina Silva para a Presidência da República. Ele aposta não só em uma guinada no rumo das eleições, como também em uma mudança nos rumos do desenvolvimento do país.

Na última quinta-feira (18), a executiva nacional do PV se reuniu para começar a estruturar a pré-candidatura de Marina. Da sede da executiva em uma casa no bairro Lago Sul, em Brasília, Penna concedeu uma entrevista ao Congresso em Foco.

Na oportunidade, Penna reforçou o peso da internet na campanha de Marina e disse que o PV sai à frente outros partidos pelo conteúdo que defende. “Não adianta ter grana e entrar e não ter o que falar. Essa é a grande vantagem do Partido Verde. Nós temos uma agenda que está viva na sociedade. São questões que animam e sugerem discussões”, defende.

Para Penna, Marina tem a vantagem competitiva de ser uma sucessora natural do presidente Lula. Ele avalia que os pré-candidatos do PT e do PSDB – a ministra Dilma Rousseff e o governador de São Paulo, José Dirceu – não têm uma “história de superação” como a apresentada no filme Lula, o filho do Brasil, que estreia no próximo sábado (28) nos cinemas.

“O filme de Lula é uma história de superação. E quem é que herda essa história e pode repeti-la? É Marina. Não é a Dilma. Eles podem estar de alguma maneira contribuindo com a gente”, disse Penna, com riso largo.

Leia a entrevista com o presidente nacional do PV

Quais estratégias para a pré-candidatura foram definidas?

Hoje na verdade, a gente está preocupado com a racionalidade do trabalho. No querer estratégico. Estamos nos estruturando ainda para fazer. A discussão é saber como estão nos estados, onde vamos ter os palanques regionais de Marina. E só isso aí é uma discussão de dias.

Qual será o papel da internet na campanha da senadora Marina?

É um desafio que vai se estabelecendo. Ou você lida bem com o instrumento, ou vai se perder terreno. Principalmente para as camadas mais jovens, temos que ter bom acesso. Todos nós que temos mandato individualmente, já estamos no youtube, twitter e por aí vai. Mas tem que ter conteúdo. Essa é a nossa vantagem. Não adianta ter grana e entrar e não ter o que falar. Essa é a grande vantagem do Partido Verde. Nós temos uma agenda que está viva na sociedade. São questões que animam e sugerem discussões. Esse é um aliado nosso.

A TV ainda vai monopolizar as eleições do próximo ano ou vai perder espaço para a internet?

Acho que a TV ainda não perde espaço para a internet. A pessoa que não tem muito hábito de internet não tem paciência de ficar horas e horas procurando coisa na rede. E é uma parte do eleitorado. Mas serão forças complementares se a gente tiver inteligência para aliar um ao outro, passa a ser a multiplicação da televisão. Aquelas inserções fora do horário político são muito interessantes. Pois na hora do horário político as pessoas podem mudar de canal, desligar a TV. Mas aquele que aparece nos meio dos comerciais de 30 segundos, não tem como escapar. Aí você tem como falar com o eleitor. Em setembro, fizemos inserções com a Marina e tivemos resultado extraordinário.

O PV vai buscar coligações com partidos na intenção de aumentar o tempo de TV?

Essa não vai ser a motivação fundamental. O que nos anima é fazer alianças com perspectiva de governo, de participação de várias correntes do pensamento, de ter uma discussão interna positiva. Claro que a consequência imediata disso, caso a gente tenha vitória nesse processo de coligações, é um maior tempo de televisão. Mas eu não tenho, pessoalmente, muito claro que quanto maior o tempo de TV, melhor para o candidato. Vai depender do que usar, do que dizer, da sua estrutura de comunicação.

No cenário de hoje, com Dilma e Serra como pré-candidatos, como será esse debate na internet? A Marina vai se sobressair?

Eles vão entrar na internet, não há um caminho tão fascinante quanto esse. Mas acho que a Marina é mais legítima. A vida dela é alternativa. É uma pessoa que nasceu na floresta. Ela carrega um sinal que os outros não podem dar. Tivemos agora o lançamento do filme do Lula. A história do filme – não vi o filme, não vi a crítica –, digamos que seja envolvente. O filme é uma história de superação. E quem é que herda essa história e pode repeti-la? É Marina. Não é a Dilma. Interessante, não é? Eles podem estar, de alguma maneira, contribuindo com a gente.(risos)

Qual a sua avaliação sobre a entrada de Marina nesse processo eleitoral?

O partido nunca teve uma gana tão forte de influenciar no processo brasileiro. Nós mudamos os rumos do debate. Impressionante. O governo já vai com propositura para Copenhague. E, inicialmente, disse que não ia dar, não iria ter nada. Nós entramos e mudou tudo. E mesmo nas coisas do Congresso, eles têm recuado. Na questão de reduzir a reserva legal, eles têm pensado duas vezes. O Serra já fez no estado de São Paulo a lei de redução da taxas de emissão de carbono. Esse projeto é bandeira nossa e ele assinou. Isso é bom e é por causa da Marina.

Como deve ser composta a chapa do PV?

Queremos construir uma candidatura com um vice ligado à moderna produção. Acho que o perfil é uma pessoa da indústria jovem paulista. Os opositores vão tentar desconstruir nossa candidatura, e uma das coisas é dizendo que somos contra o progresso. Para que os conservadores não nos peguem desprevenidos, nós já vamos com uma agenda bem ampla, da indústria ao meio ambiente. Estamos fazendo um projeto de Brasil sustentável.

E o PV já tem nomes para vice?

Já temos alguns indicativos como os empresários Guilherme Leal, da Natura, Roberto Klabin, da SOS Mata Atlântica, e Marcus Elias, da Parmalat. Têm alguns jovens empresários com responsabilidade que dão sinal.

  
 
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